[como se faz]: Lodo fértil

por Redação em 10/12/2012

Ricos em nutrientes, resíduos sólidos provenientes do esgoto podem substituir adubos químicos na agricultura, sem trazer risco à saúde e reduzindo o volume de material depositado em aterros sanitários.
A reportagem é de Luiz Gustavo Cristino e as fotos de Lucas Albin.

Leia trecho abaixo ou o texto na íntegra em pdf (+fotos)

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O MANEJO DE UM GRANDE MONTE DE LODO que veio da rede de esgoto jamais poderá ser uma imagem agradável. Mas, escondida sob o mau cheiro, há uma boa notícia para os produtores rurais, que atualmente são forçados a fazer investimentos expressivos na compra de tipos especiais de adubos nitrogenados que usam em suas culturas. “O lodo de esgoto é um material extremamente rico em nutrientes, principalmente o nitrogênio e o fósforo”, explica o engenheiro agrônomo Helio Grassi Filho, professor da Faculdade de Ciências Agronômicas (FCA) da Unesp em Botucatu. Pesquisas semelhantes às que ele e seu grupo estão fazendo estão em andamento nos Estados Unidos, na China e na Europa, o que demonstra que a ideia é menos esdrúxula do que parece à primeira vista.

Tudo começa com o reaproveitamento do lodo gerado pelo tratamento de esgoto. Atualmente o material amontoa-se nos aterros sanitários. Em certos casos, chega a causar danos ambientais, devido à presença de elementos contaminantes em sua composição, como metais pesados. Mas há quem enxergue suas potencialidades.

O lodo de esgoto consiste, basicamente, da matéria orgânica sólida presente nos resíduos, também chamados biossólidos, que chegam às estações de tratamento. Separados do restante do material por um processo de decantação, compõem aproximadamente 2% de todo o esgoto urbano. Apesar de o percentual ser pequeno, o total de lodo produzido mensalmente chega a toneladas.

Desde 1999, Grassi e sua equipe estudam a viabilização do uso desse material como substituto dos adubos químicos nitrogenados e do esterco de curral, que também é oneroso para o pequeno produtor. O método desenvolvido não apenas reinsere com sucesso o nitrogênio na cadeia produtiva, como também gera um ganho de até 30% de eficiência do material em relação ao adubo nitrogenado, cuja tonelada custa pouco mais de R$ 1.000. “O esgoto, por enquanto, sai de graça”, diz Grassi.
As origens da pesquisa remontam ao ano de 1996, quando a Sabesp estava prestes a construir uma estação de tratamento de esgoto em frente à Unesp, na Fazenda Experimental Lageado. “Negociamos com eles, junto à Prefeitura, e conseguimos fazer com que a estação fosse construída dentro do câmpus, numa área pouco utilizada, para que o mau cheiro não chegasse às salas de aula da universidade”, recorda Grassi. A partir daí, estabeleceu-se a parceria que permitiu que o material fosse cedido para estudos.

Nem todo lodo pode ser usado para esse fim. Metais pesados e patógenos como a salmonela podem contaminá-lo. “A empresa que processa o lodo é responsável pelo controle desses micro-organismos e pela concentração de metais”, explica Grassi. Devido à possibilidade de contaminação do solo, em 2006 o Conama (Conselho Nacional do Meio Ambiente) baixou a resolução de número 375 para normatizar estudos do uso agrícola do lodo, bem como seu futuro uso comercial. A norma exige que o material passe por um processo chamado compostagem, que eleva o material a altas temperaturas, eliminando os patógenos.

Apesar de a compostagem ocorrer espontaneamente nesse tipo de material, a pesquisa de Grassi desenvolveu uma forma de otimizá-la. “É até possível deixar o lodo naturalmente ao sol, para se autocompostar, enquanto empregamos reagentes para atacar os micro-organismos e acabar com a contaminação por patógenos. Mas esse processo acabaria se tornando caro para um produtor”, justifica o pesquisador.

As pesquisas foram desenvolvidas na própria estação da Sabesp, dentro do câmpus da Unesp. No processo de compostagem, um volume de 10 m³ (cerca de 10 ton) de lodo úmido foi misturado a outro material, fonte de carbono. Nesta etapa, o cheiro ainda era bem forte. “Misturamos cascas de eucalipto ao lodo, em camadas intercaladas às do material”, explica o engenheiro agrônomo Thomaz Figueiredo Lobo, que foi orientado por Grassi durante seu mestrado, doutorado e pós-doutorado, sempre em pesquisas sobre lodo de esgoto. “Essas cascas fornecem matéria orgânica, aumentam a temperatura do monte e acele-ram o processo de decomposição”, diz Lobo. CONTINUE LENDO EM PDF (+FOTOS)

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hELIO dezembro 17, 2012 às 5:18

Beleza

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