Pessoas queridas, caríssimos leitores, é com uma felicidade imensa que escrevo para contar que ganhamos ontem o primeiro lugar no Prêmio de Reportagem sobre a Biodiversidade da Mata Atlântica, na categoria imprenso, com a reportagem “Código Florestal ao arrepio da ciência”, nossa capa da edição 13 (outubro do ano passado), escrita por mim e por nossa colaboradora Andreia Fanzeres.
Recendo o prêmio do biólogo Ricardo Ribeiro Rodrigues, um dos jurados
O prêmio é organizado pela Aliança para a Conservação da Mata Atlântica, uma parceria entre as ONGs Conservação Internacional e Fundação SOS Mata Atlântica, com patrocínio de Bradesco Capitalização e apoio do Centro Internacional para Jornalistas (ICFJ) e da Federação Internacional de Jornalistas Ambientais (IFEJ).
Recebemos esse prêmio como um grande presente de aniversário – completamos dois anos agora em setembro – e também como um baita incentivo para continuar fazendo um jornalismo aprofundado, sério, de fôlego e sempre recheado de boas histórias.
E essa matéria, particularmente, foi um enorme esforço de reportagem. Acho que seu maior mérito, como disse ontem durante a premiação, foi ter reunido, pela primeira vez, uma série de estudos que mostravam os possíveis riscos da mudança do código florestal tanto à biodiversidade quanto aos serviços florestais e, em última instância, aos seres humanos.
A comunidade científica vinha reclamando que não fora ouvida pelo deputado Aldo Rebelo (PCdoB) e que as alterações propostas por ele não tinham base em pesquisas. A SBPC e outros grupos de pesquisadores já tinham se manifestando por meio de cartas em revistas científicas e pela imprensa, mas eles mesmos ainda não haviam organizado um dossiê ou algo do gênero que mostrasse o tamanho do problema. Até então, estava tudo meio disperso. A reportagem de certo modo ajudou a compor melhor esse quadro para o leitor. Depois saiu uma enxurrada de trabalhos importantes, uma publicação específica da Biota Neotropica com artigos sobre o assunto, o relatório da SBPC.
Mas é super oportuno que uma matéria dessas seja premiada agora, quando o projeto está esperando para ser votado no Senado. E a taxa de desmatamento voltou a subir, em boa parte, acredita-se, justamente por causa da confiança de que, com o projeto aprovado, vira também uma anistia aos desmatadores.
Falei tudo isso, mas queria aproveitar esse espaço para fazer uma certa justiça. Por questões do regulamento do prêmio, só eu o recebi ontem. E porque eu sou emotiva assim, e as minhas pernas tremiam demais, e a luz de alguma filmadora estava me cegando, eu acabei me esquecendo de falar de metade das coisas que eu queria dizer – a metade mais importante.
Eu queria e devia ter agradecido duas pessoas que foram fundamentais para a realização desta reportagem. Vou por ordem alfabética. Primeiro queria agradecer e parabenizar a Andreia, que assinou a matéria comigo. Ela conversou com alguns dos pesquisadores e foi a responsável por colocar o Aldo contra a parede e revelar que ele de fato não tinha nada de ciência na manga.
Em segundo quero dizer muito, muito obrigada ao Maurício Tuffani. Assessor-chefe de imprensa da Unesp na época – e meu chefe – foi ele que me instigou a fazer uma reportagem sobre o novo código, me ouviu e ajudou a decidir qual melhor caminho a seguir durante a apuração. Foi dele, por fim, o título final da reportagem.
Andreia, Tuffa, esse prêmio é nosso.
Na verdade não sei bem ainda o que é o prêmio, só que é uma “field trip” nos arredores de Washington. Vamos lá. Eba!
Crédito: ZeroLux / Reinaldo Figueiredo
{ 1 comentário… }
Parabéns!
Já estou na terceira idade e as agressões à natureza sempre me horrorizaram. Quando vejo jovens jornalistas interessados e batalhando pela sua preservação tenho alguma esperança no futuro desta nossa Pátria , tão mal encaminhado por seus dirigentes!
Continuem!
Nancy Santos Silva