Um tipo de boi conta com uma grande produção e qualidade do leite e da carne. O outro, com grande resistência ao quente clima tropical e a infecções de parasitas. Juntos, eles podem formar o “superboi”. Não se trata de um novo super-herói e sim de uma das maiores promessas da genética, tema de reportagem na Unesp Ciência deste mês.
O boi ideal teria os melhores genes de duas subespécies bovinas, os taurinos, que tiveram seu genoma sequenciado em 2009, e os zebuínos, cujo DNA acaba de ser decifrado pela equipe de José Fernando Garcia, da Faculdade de Medicina Veterinária da Unesp de Araçatuba, em parceria com o Departamento Americano de Agricultura, a Universidade de Maryland (EUA), e com Universidade Católica do Sagrado Coração (Itália).
De posse destas informações, o objetivo dos pesquisadores é fazer o melhoramento bovino geneticamente orientado até chegar ao DNA do bom churrasco.
Vocês sabiam que o cupim (a “corcova” do boi) é uma marca típica do boi zebu? A exemplo do órgão dos camelos, o cupim é uma forma mais discreta de armazenamento de energia, que aumenta a resistência do animal a condições desfavoráveis. Não por acaso, os zebuínos, a subespécie mais comum no país, é bem mais resistente que os taurinos.
Como muita coisa no Brasil, a história do gado bovino começa com a colonização, no século 16. Na época, os portugueses trouxeram bois africanos, da subespécie Bos primigenius taurus. A partir do início do século 19 os zebus (Bos primigenius indicus) se tornaram habitantes das nossas terras, quando o criador Manoel Ubelhart Lemgruber, que morava no Rio, importou alguns animais após uma visita a Hamburgo, na Alemanha. Os primeiros zebuínos, vindos da Índia, ficaram conhecidos como a linhagem Lemgruber, que existe até hoje no Brasil.
Já a raça nelore, predominante em solo brasileiro, só foi criada na década de 1960, quando o pecuarista Torres Homem Rodrigues da Cunha, de Araçatuba, trouxe para o país bois da raça ongole, originária da Índia. Dos cruzamentos entre a ongole e outras raças já existentes no Brasil, surgiu o zebu da raça nelore. Um bom exemplar dela é o touro Futuro (foto acima), também de Araçatuba, que foi o escolhido para ter o genoma sequenciado.
Leia mais sobre o “superboi” na reportagem, em pdf.
Foto: José Fernando Garcia

{ 1 comentário… }
Parabéns aos cientistas, pesquisadores e colaboradores por mais este fanástico passo, “Em busca do superboi”, título muito feliz da reportagem na Unesp Ciência deste mês, onde o detalhamento do projeto, enfatiza que o trabalho atual vem no sentido de unir no futuro o melhor das duas subespécies bovinas: taurina e zebuína, para aliar alta qualidade com resistência.
Estando presidente da Associação Brasileira de Blonel, que é a mais nova raça do mundo, resultante da fusão das qualidades máximas do taurino Blonde com o zebuíno Nelore, aproveito esta oportunidade para convidar à todos, que como nós, buscam a perfeita aliança de qualidade com resistência, para que visitem o site: http://www.blonel.org.br
Att, Eduardo da Rocha Leão.