Eberlin responde sobre Design Inteligente

por Redação em 24/05/2010

Em atenção ao meu post do dia 7 de maio, “O Design Inteligente e a volta à causa final”, Marcos Eberlin, professor titular do Departamento de Química Orgânica do Instituto de Química da Unicamp e um dos principais expoentes dessa teoria no Brasil, se ofereceu para responder por meio de um artigo. Claro que aceitei, não só apesar de minha discordância com a posição dele, mas justamente por causa dela, pois é dever da imprensa promover o amplo debate de ideias. Além disso, por se tratar da opinião de um cientista de prestígio internacional em espectrometria de massas uma área de pesquisa diretamente relacionada à polêmica em torno da evolução no plano da biologia molecular , e dada a extensão do texto, achei melhor dar mais destaque a ele do que teria em um comentário a meu post anterior. O artigo segue abaixo.

O Design Inteligente e a volta à causa certa

Marcos N. Eberlin

O post “O Design Inteligente e a volta à causa final”, publicado neste blog em 7 de maio pelo jornalista Maurício Tuffani, diretor de redação da revista Unesp Ciência, é muito didático e melhor ainda, fomentador de um debate inteligente, científico, filosófico e teológico que há muito perdemos no tempo, e na teoria. Ele distinguiu o cerne da questão da relação entre a teoria do Design Inteligente (TDI) e a ciência, e nos remeteu à reflexão de aspectos fundamentais de como se dá o conhecimento científico. Todavia, em detrimento à posição cética sui generis, sua análise foi prejudicada pela influência da visão estereotipada e pré-conceituosa que o materialismo filosófico tem a respeito da TDI.

Quanto à causa final, Tuffani confunde implicações com fundamentos, e opiniões com postulados. Não é correto, sabemos, usar colocações filosóficas e teológicas sobre as implicações indiretas da TDI, feitas por qualquer de seus adeptos (que além de cientistas são também gente), sobre suas convicções pessoais a respeito da natureza da inteligência no Design e suas implicações indiretas sobre o funcionamento e alcance da ciência, tentando transformar, por força da retórica, essas avaliações legítimas, mas subjetivas, em fundamento da teoria que eles defendem. Não cola!

A TDI incita, sim, a discussão sobre as possíveis implicações filosóficas e teológicas de seu postulado, mas não se baseia em nenhuma delas. Não assume a priori qualquer causa, primeira ou final, natural ou sobrenatural. Terrestre ou extra-terrestre. Pré ou pós-Aristóteles! Que vá ou não alterar toda a ordem do Universo, até a lei da gravidade, como se inferiu.

TDI tem apenas um postulado, uma única regra de prática, sem fé: Vamos seguir os dados onde quer que nos levem! E vamos interpretá-los, livres de qualquer amarra, pré-conceito ou predefinição; por exemplo, livres daquele “pacto” pós-medieval iluminista que fizeram com o materialismo filosófico e que nos constrange quanto ao que devemos e o que não podemos concluir. Livres de qualquer demarcação chique e perfumada, que nos força a procurar explicações até mesmo onde elas simplesmente não existem.

E assim, nessa análise sem pré-conceitos ou paixões, a TDI faz também uma única conclusão, revolucionária sabemos: há sinais claros da ação de uma mente inteligente e consciente na Vida e no Universo! Só isto e nada mais! Somos livres, como cientistas e gente, para especular sobre as implicações metafísicas desta grande descoberta, a maior de todos os tempos em Ciência, mas proibidos pela regra única de prática sem fé da TDI de transformar nossas especulações filosóficas e/ou teológicas em pré-conceitos inibidores da TDI em sua busca de fazer Ciência plena e sem pré-conceitos.

A TDI resgata, sim, uma causa. Mas não a causa final efêmera pré-coperniana. Resgata uma causa legítima, conhecida e invocada amplamente pela ciência, em várias áreas não diretamente “regidas” pelo “pacto”. Uma causa suficiente e necessária, a única causa que sabemos hoje em ciencia ser capaz de gerar informação aperiódica funcional e gerenciá-la através de códigos múltiplos e interligados, códigos dentro de códigos, informação zipada, criptografada, com estrutura “topdown hard-disk like”.

Tuffani se equivoca também quando diz que, em relação a evolução química, confundi em minha palestra improbabilidade com impossibilidade. Confundi não! Assistam à minha palestra (disponível no site do III Simpósio Internacional Darwinismo Hoje, do Mackenzie) e vocês verão e ouvirão que conclui, não pela improbabilidade da evolução química, mas pela sua total impossibilidade, e por conseqüência pela morte da evolução biológica pela raiz. É porque sei que a evolução química é impossível que eu a refuto. É porque sei que as forças naturais são contra a Vida, e não a seu favor, que concluí, à luz do conhecimento, e pela força dos dados, sobre a impossibilidade absoluta de toda a cadeia da evolução.

Tuffani se engana também quando afirma que “…tachamos de ignorantes os que discordam dessa inferência.” Nunca fiz nem faria tal adjetivação, mesmo que indiretamente. Sei que os evolucionistas são pessoas inteligentes e muito bem informadas, e principalmente muito criativas. Eles não são ignorantes, não! São pré-conceituosos. Assumem que tudo é “matéria e energia” e, assim, guiados por este pré-conceito, necessariamente concluem o inevitável: a evolução ocorreu! Posso não saber como foi, mas um dia vou descobrir. Posso não ter explicação alguma agora, mas como Mauricio mesmo me sugeriu no simpósio, o máximo que farei é admitir total ignorância, jamais rever meu pré-conceito.

Mas é esse pré-conceito chique e perfumado, iluminado, pós-medieval, que está impedindo a ciência hoje de ver o óbvio. De escutar o que as moléculas da Vida falam com tanta clareza, com tanta veemência, e em voz alta! Ecos de nossa existência que soam cada vez mais forte! A teimosia fica evidente, porém, quando persistimos em procurar explicações filtradas pelo materialismo filosófico. E de classificar de obscurantista pré-medieval Aristoteliano qualquer um que ouse encontrar outra causa! Mesmo que esta causa seja uma causa cientificamente legítima, conhecida, suficiente e necessária.

Quanto ao critério de demarcação entre ciência e pseudociência de Karl Popper, não há dúvida que a TDI se enguadra nele. Palestras no III Simpósio abordaram esse aspecto. Mas a ironia maior se observaria se constatássemos que a TDI, segundo Popper, é mesmo uma pseudociência. Que deveríamos fazer, então? Às favas com Popper e sua demarcação! Pois o que queremos não é demarcar a ciência, ou obedecer a Popper ou qualquer outro “pai da ciência”! Queremos encontrar a resposta certa, não a “cientificamente aceitável”. Remova-se então a demarcação de Popper, pois ela estaria prestando um grande desserviço justamente a quem deveria servir. Estaria deixando de fora o que ela deveria estar acolhendo: a resposta certa! Aquela resposta que segue os dados e os interpreta livre de pré-conceitos que nos dizem a priori o que podemos e devemos concluir!

Tuffani se engana também quando classifica a TDI de “um fracasso científico”, no que se refere ao ideal de fazer a ciência avançar no conhecimento. Mas a TDI é mesmo um fracasso, só porque inibe as pesquisas em evolução? Em ciência, tão bom quanto descobrir uma rota certa é descobrir uma rota errada. Pois ao descobrirmos que uma rota é impossível, nunca mais a utilizaremos. Não consigo mesmo transformar ferro em ouro, alquimicamente, e ponto final! E isto vai nos poupar tempo e muito dinheiro. Vai evitar que eu repita meu erro, persista nele. Um dos grandes sucessos da TDI é exatamente esse – o de mostrar que a rota para a Vida a partir de matéria inamimada e processos naturais não guiados é inviável, impossível, probabilidade zero mesmo! É querer, pedalando, chegar à Lua. Livres da persistência nesse erro, de transformar ferro (matéria inanimada) em ouro (Vida), poderemos então nos concentrar em questões ainda mais relevantes. Podemos fazer agora as perguntas certas! Não perguntaremos mais como esse código evoluiu, pois códigos são, por princípio (e por constatação), imutáveis, mas sim: qual a lógica e a inter-relação dos diversos códigos da Vida, e onde e como estão armazenados? Podemos aprender com eles, com sua inteligência? E usar este conhecimento em benefício da Vida? Ou seja, a TDI quer soltar a perna da ciência, que jaz presa no materialismo filosófico, e permitir a ela passos livres e bem mais largos!

Tuffani acerta em cheio, porém, quando diz que o maior mérito da TDI é “…de forçar os evolucionistas a rever seus pressupostos e serem um pouco mais autocríticos”. Perfeito! Isso nós queremos, sim. Que nossos amigos evolucionistas, gente boa e bem informada, inteligentes e cultos, conhecedores de toda a complexidade irredútivel, a informação aperiódica funcional, e a antevidência genial que superlota a Vida, e a cada dia mais, não fiquem à espera de explicações materialistas que teimam em não vir. Mas que, deixando de lado o seu pré-conceito materialista filosófico, sigam os dados aonde eles nos levam! Que sejam autocríticos a ponto de perceber que sua subjetividade materialista os impede de ver o que os dados mostram hoje com tanta clareza: uma mente inteligente e consciente orquestrou a Vida e o Universo, não resta dúvida!

Finalizando, recomendo, para os que quiserem saber mais sobre a TDI, a entrevista “Professor da Unicamp defende Design Inteligente”.

Marcos N. Eberlin é membro da Academia Brasileira de Ciências, Comendador da Ordem Nacional do Mérito Científico, presidente da Sociedade Internacional de Espectrometria de Massas e coordenador do Laboratório ThoMSon de Espectrometria de Massas do Instituto de Química da Unicamp. É também membro do Núcleo Brasileiro do Design Inteligente, presidente do Comitê Organizador do 1º. Congresso Brasileiro do Design Inteligente (DIBrasil 2010) e faz parte do corpo de editores do periódico Bio-Complexity.

{ 15 comentários… }

Gato Précambriano maio 24, 2010 às 17:57

É curioso que o Prof. Eberlin critique Tuffani por

..usar colocações filosóficas e teológicas sobre as implicações indiretas da TDI, feitas por qualquer de seus adeptos (que além de cientistas são também gente), sobre suas convicções pessoais a respeito da natureza da inteligência no Design e suas implicações indiretas sobre o funcionamento e alcance da ciência, tentando transformar, por força da retórica, essas avaliações legítimas, mas subjetivas, em fundamento da teoria que eles defendem…

mas de forma muto sistemática, desde o início, faça exatamente isso. Quando diz, por exemplo, que

…sua análise foi prejudicada pela influência da visão estereotipada e pré-conceituosa que o materialismo filosófico tem a respeito da TDI…

, quando fala em

…“pacto” pós-medieval iluminista que fizeram com o materialismo filosófico

ou

…pré-conceito chique e perfumado, iluminado, pós-medieval, que está impedindo a ciência hoje de ver o óbvio…

ou ainda

.. Eles [os evolucionistas] não são ignorantes, não! São pré-conceituosos. Assumem que tudo é “matéria e energia” e, assim, guiados por este pré-conceito, necessariamente concluem o inevitável: a evolução ocorreu…

(grifo meu)

Ou seja, devemos crer que a quase totalidade da comunidade científica, que rejeita, seja o criacionismo clássico, seja o “design inteligente”, o faz por puro preconceito “iluminista pós-medieval”. Mas, se fosse mesmo assim, porque não deveríamos atribuir aos criacionistas exatamente o mesmo pecadilho? Um compromisso com o pacto pré-medieval obscurantista que fizeram com sua teologia? Porque deveríamos dar de barato que o Prof. Eberlin e seus colegas do DI são tão assim desprovidos de conceitos e pré-conceitos, verdadeiros heróis da Verdade? Esse maniqueísmo do Prof. Eberlin não me parece sustentável.

O Prof. Eberlin, parece acreditar, ou quer que acreditemos que sua posição decorre de um exame “livre de amarras, pré-conceitos ou predefinições”, que se trata de seguir os “dados onde quer que nos levem”, de “escutar o que as moléculas da vida falam com tanta clareza, com tanta veemência, e em voz alta!”

O problema é que moleculas não falam nem em voz alta, nem aos sussurros. Dados, quaisquer dados, de qualquer natureza, não fazem qualquer sentido por si sós, eles precisam ser interpretados à luz de algum arcabouço conceitual, isto é, um Modelo, ou uma Teoria. Mas aí é preciso discernir de alguma forma, Modelos e Teorias verdadeiros, de falsos. Ou, dito de outra forma, interpretações corretas de interpretações equivocadas. Foi para isso que se desenvolveram critérios de demarcação, e de validação de proposições, de modo que os próprios pré-conceitos que fundamentam qualquer hipótese sejam postos à prova. Na verdade é necessário que hajam conceitos prévios até mesmo para que se reconheçam dados enquanto tais

Portanto, essa noção de que seja possível examinar quaisquer dados que sejam, inteiramente livre de conceitos e pré-conceitos é, no mínimo, de uma enorme ingenuidade. E, como, acho um pouco difícil crer que alguém com as credenciais do Prof. Eberlin seja tão ingênuo (embora não seja impossível), a alternativa que resta é a de que o nobre professor está de fato ocultando os seus próprios pressupostos filosóficos. Pois se, como parece, o Prof. Eberlin tem questões mas é com o materialismo filosófico e com o Iluminismo, nesse caso, me parece que o correto seria o Prof. colocar na mesa de forma clara os seus próprios pressupostos filosóficos, supostamente não-Iluministas e não-Materialistas, e nos explicasse porque eles são assim tão melhores, e parasse de fingir que não os tem e que eles não importam. E também reconhecesse consequentemente que a questão para si não é científica estito senso. Como está posto o nobre Prof. desce a lenha no suposto “pacto materialista” da Ciência, mas convenientemente, se exime de expor à crítica qual é afinal o “pacto” supostamente não-materialista que propõe.

Como o próprio Prof. disse

Não cola!

Igor Zolnerkevic maio 26, 2010 às 20:16

“Philosophy of science is about as useful to scientists as ornithology is to birds.” – Richard Feynman

Silvia Regina Gobbo maio 1, 2011 às 23:11

Igor foi brilhante em demonstrar textualmente tanto o preconceito do dr Eberlin em relação aos cientistas e à ciência.

Quanto a interpretar livremente os dados, isso me faz lembrar uma citação que Sagan repete em um de seus livros. É algo como cuidado em abrir demais a cabeça ou o cérebro pode pular para fora.

Quando dr. Eberlin cita:
“pacto” pós-medieval iluminista que fizeram com o materialismo filosófico…

Isso me faz rir muito, pois “pós-medieval iluminista” É A CIÊNCIA como a conhecemos. Darwnismo é pós-iluminista, e Criacionismo é apenas o “Deus das lacunas medieval”.

Outra questão é essa repetição constante dos criacionistas reclamando do materialismo filosófico. A ciência É materialista porque trabalha com o MUNDO MATERIAL, ou mundo natural, mas os cientistas não são materialistas no sentido pejorativo que se dá a esta palavra. Cientistas são seres humanos que seguem a ciência cujos limites é o mundo natural.

O mundo sobrenatural não é testável, não é falseável e isto até uma criança entende ao ler a história do dragão na garagem de Sagan.

É muito temerário quando um cientista diz “há sinais claros da ação de uma mente inteligente e consciente na Vida e no Universo!”

Estes sinais não existem, mesmo o mais inventivo argumento dos DIstas, complexidade irredutível foi completamente refutado por Kenneth Miler & Dollitle.

E vc, Tuffani, está coberto de razão quando diz que Eberlin confunde probabilidade com impossibilidade, até porque, probabilidade não pode refutar algo que JÁ ocorreu, probabilidade não pode refutar EXPERIMENTOS CIENTÍFICOS baseados em fatos e fenômenos reais, testáveis, falseáveis, que podem ser repetidos, tem coerência interna e não estão em desacordo com outras teorias e leis naturais conhecidas.

Dr Eberlin tentou se explicar, piorou, só se enrolou. Talvez ele concorde com o que falou Michael Behe no seu depoimento em Dover (Dover trial) que a ciência deveria ser mais aberta. A questão que fica é se dr. Eberlin concorda também com Behe quando este foi questionado sobre esse conceito de “ciência mais aberta” e acabou tendo que admitir que se o criacionismo entrasse no conceito de ciência, a astrologia também entraria…

joão Ribett maio 9, 2011 às 22:38

Os criacionistas precisam entender que a natureza trabalha com possibilidades, por menores que sejam! Não há uma regra geral para que os fenômenos aconteçam

marcos morgado outubro 14, 2011 às 15:31

Todos os criticos evolucionistas aqui presentes só argumentaram com blá, blá, blá mas não conseguiram refutar cientificamente um só argumento da TDI. Na verdade são guerreiros da causa inglória de tentar justificar o injustificável e transformar a verdade em mentira e a mentira em verdade como aqueles que depois de dizerem uma mentira 10 vezes acabam por acreditar nela.

Na verdade preferem crer nisso a crer na existencia de um Criador inteligente a quem terão que prestar contas e é isso na verdade incomoda suas conciencias cauterizadas e os impele a persistir obstinadamente defendendo o que na verdade não é ciencia com sua loquacidade frivola.

Em um estudo feito pelo The Chimp Sequencing and Analysis Consortium, que reuniu pesquisadores dos Estados Unidos, Alemanha, Israel, Itália e Japão, publicado pelo jornal científico semanal britânico Nature, os cientistas disseram que decifraram o código genético dos chimpanzés, e constataram que o chimpanzé possui cerca de três bilhões de pares de genes, e que desses 3 bilhões de pares de genes, 35 milhões são diferentes dos encontrados no DNA dos humanos.

Portanto, vemos que o código genético do chimpanzé é muito diferente do código genético do ser humano, pois existem 35 milhões de diferenças entre o código genético do chimpanzé e o código genético do ser humano. Pergunto: evolução é ciencia?

A Genética comprova que a teoria da evolução é falsa, pois se um indivíduo de uma espécie sexuada sofrer uma mutação que o transforme em um indivíduo de outra espécie, ele não poderá se reproduzir, pois não haverá um indivíduo de sexo oposto da nova espécie, com o qual ele possa cruzar, e o cruzamento entre indivíduos de espécies diferentes é infértil.
A Genética comprova que os descendentes sempre são da mesma espécie que os ascendentes, o que põe por terra a teoria da evolução. Isso é ciencia?
Nunca foi observada nenhuma mutação que tornasse o indivíduo mutante mais complexo ou mais organizado.

Todos os exemplos de seleção natural conhecidos ocorreram dentro da mesma espécie, dentro da gama de alelos existentes na mesma espécie, e em nenhum caso observado houve transformação de uma espécie em outra. Em todos os casos houve apenas surgimento de uma raça diferente da mesma espécie.

A segunda lei da termodinâmica, que é comprovada cientificamente, diz que todas as modificações que ocorrem ao acaso na natureza dão origem a seres menos organizados, o que demonstra que a teoria da evolução é totalmente falsa. Isso é ciencia?

E ainda recentemente foi descoberto mais um embuste: o archeoraptor. Com uma imaginação bem apurada, muitos aclamavam esse achado como sendo a ligação entre as atuais aves e os dinossauros. Não passava de uma mistura mal-ajambrada de peças de diversos fósseis. Isso é ciencia?
Na realidade, crer que o macaco virou homem é tão absurdo quanto crer em Papai Noel!

O que é lamentável é que as escolas ensinem uma teoria não comprovada e absurda, dizendo que ela é científica, enganando assim os alunos. Onde estão os elos perdidos de Darwin?
Devem pensar: se Deus não existe e tudo vem do acaso, então tudo é permitido! Pergunto: existe algum evolucionista crente? Acho que não! Portanto suas convicçoes são totalmente desprovidas de isenção por conta da forte carga ideológica dos evolucionistas que na verdade é ateismo disfarçado de ciencia.

Porque tanta insistência no evolucionismo? Haverá por detrás disso uma segunda intenção de seus propugnadores (ou pelo menos de uma parte deles)? Engels dá-nos uma pista numa de suas cartas a Marx: “o Darwin que estou lendo agora é magnífico. A teologia não estava destruída em algumas de suas partes, e agora isso acaba de acontecer”. Sou ateu, graças a Deus!

Ora, crer na evolução é como acreditar, como definiu um cientista, que a explosão de uma gráfica seria capaz de produzir um livro pronto e acabado! Nada mais absurdo!
Sou ateu, graças a Deus!

Francisco de Moura Pinto março 9, 2012 às 7:13

Eberlin parece repetir boa parte da retórica infundada dos defensores da TDI, então vou focar minha crítica num aspecto particularmente ilógico: a crítica a Popper e à filosofia da ciência. Eberlin parece crer que, se os critérios para decidir se algo é cientificamente válido não validam sua hipótese, os critérios devem ser descartados, não a hipótese. Hein?! Se pelo menos ele especificasse claramente quais são os novos critérios…

cesar pinheiro abril 9, 2012 às 22:21

Não, nem o próprio acaso é absolutamente aleatório. Ele sofre influências do meio, e graças a essas restrições causais a ciência é feita pelas leis naturais. Mas essas restrições, importante notar, não são eternas e imutáveis, elas mudam pelas circunstâncias, e aí a ciência deve ser humilde o suficiente para compreender que a verdade final, afinal, é mutável, e sempre mais abrangente, de acordo com a capacidade humana de compreensão e adaptação.

cesar pinheiro abril 20, 2012 às 17:28

Não, nem o próprio acaso é absolutamente aleatório. Ele sofre influências do meio, e graças a essas restrições causais a ciência é feita em suas leis naturais. Mas essas restrições, importante notar, não são eternas e imutáveis, elas mudam pelas circunstâncias, e aí a ciência deve ser humilde o suficiente para compreender que a verdade final, afinal, é mutável, e sempre mais abrangente, de acordo com a capacidade humana de compreensão e adaptação.
Cesar Pinheiro
(aguardando mediação)

cesar pinheiro abril 28, 2012 às 9:13

é bom que fique claro que as mutações do dna existem, mesmo que numa escala submilimétrica, a seleção natural, por sua vez, se incumbe de escolher das espécies, aquelas que melhor se adaptarem às necessidades do meio ambiente.

Silvia Regina Gobbo maio 18, 2012 às 19:20

Respondendo ao sr. Marcos Morgado.
Sua exposição está cheia de argumentos falhos e falácias, que vamos analisar abaixo:
O sr. afirma que os críticos evolucionistas aqui presentes não refutam cientificamente o argumento da TDI. Só nesta sua fala nós temos três problemas listados a seguir:
1. Críticos evolucionistas. É de rir, não existem evolucionistas (defensores da Teoria da Evolução), como não existem gravitacionistas (defensores da Teoria da Gravidade). Assim não existem evolucionistas e sim CIENTISTAS que aceitam evolução como FATO e Teoria da Evolução, como o MELHOR modelo científico para explicar este fato… Por outro lado criacionismo é uma ideologia, então está correto falar criacionistas, porque não há ciência envolvida no criacionismo.
2. TDI NÃO EXISTE… Não se pode chamar o DI de TEORIA, porque não é uma teoria científica, então falar TDI é como colocar o lobo (DI) em pele de cordeiro (ciência) fingindo ser uma coisa QUE NÃO É.
3. O sr. Eberlin, ou mesmo você, NÃO TROUXERAM ARGUMENTOS para refutarmos, ENTÃO vocês não podem nos acusar de não refutarmos seus argumentos porque eles não existem, ao menos não argumentos científicos.
O segundo ponto que vou comentar é o parágrafo abaixo, tão risível que merece ser citado por inteiro. O sr disse: “Na verdade preferem crer nisso a crer na existencia de um Criador inteligente a quem terão que prestar contas e é isso na verdade incomoda suas conciencias cauterizadas e os impele a persistir obstinadamente defendendo o que na verdade não é ciencia com sua loquacidade frivola.”
Se Deus existe ele não ia querer que alguém estivesse usando o nome dele em vão, como o sr está fazendo. Grande parte dos cientistas tem uma religião, parte deles É CRISTÃ nem por isso deixam de aceitar a Evolução como fato e como teoria, ENTÃO USAR DE AMEAÇA METAFÍSICA AQUI foi mais que uma falácia, foi uma fanfarronice da sua parte… Além disso, é bom destacar que a maior parte dos cristãos NEM ACEITA o criacionismo, como católicos e boa parte dos protestantes como luteranos, anglicanos, metodistas, presbiterianos etc… NÃO HÁ CONSENSO NEM ENTRE OS CRISTÃOS. Então vá discutir o assunto com seus colegas religiosos e deixe a ciência em paz.
Agora no seu parágrafo abaixo tenho que denunciar que o senhor tentou MAQUIAR OS DADOS para enganar o leitor… Vamos ao que o sr disse:
“Em um estudo feito pelo The Chimp Sequencing and Analysis Consortium, que reuniu pesquisadores dos Estados Unidos, Alemanha, Israel, Itália e Japão, publicado pelo jornal científico semanal britânico Nature, os cientistas disseram que decifraram o código genético dos chimpanzés, e constataram que o chimpanzé possui cerca de três bilhões de pares de genes, e que desses 3 bilhões de pares de genes, 35 milhões são diferentes dos encontrados no DNA dos humanos.

Silvia Regina Gobbo maio 18, 2012 às 19:20

CONTINUAÇÃO:

Portanto, vemos que o código genético do chimpanzé é muito diferente do código genético do ser humano, pois existem 35 milhões de diferenças entre o código genético do chimpanzé e o código genético do ser humano. Pergunto: evolução é ciencia? “
Porém eu tenho acesso ao trabalho original, link logo abaixo… O QUE SINGNIFICAM ESTES NÚMEROS? SIM É VERDADE 35 milhões de pares de genes são diferentes entre humanos e chimpanzés… MAS 35 MILHÕES DIFERENTE DE QUE TOTAL? O que importa é a PROPORCIONALIDADE. Pois bem São 35 milhões de um total de 3 bilhões de pares de genes… ISSO REPRESENTA menos de 4% DE DIFERENÇAS ENTRE CHIMPANZÉS E HUMANOS. Maquiar dados é coisa muito, MAS MUITO FEIA…
http://www.nature.com/nature/journal/v437/n7055/full/nature04072.html
Suas argumentações continuam PÍFIAS. O sr. por exemplo comenta: “A Genética comprova que a teoria da evolução é falsa, pois se um indivíduo de uma espécie sexuada sofrer uma mutação que o transforme em um indivíduo de outra espécie, ele não poderá se reproduzir, pois não haverá um indivíduo de sexo oposto da nova espécie, com o qual ele possa cruzar, e o cruzamento entre indivíduos de espécies diferentes é infértil.”
Mas a ciência NUNCA FALOU QUE UMA MUTAÇÃO já impõe uma mudança de espécie… a unidade da evolução é a POPULAÇÃO, não o indivíduo. A genética sabe disso, além disso o mecanismo de especiação é MUTAÇÃO + SELEÇÃO NATURAL.
Ao que parece o sr não sabe o básico nem de genética nem de evolução.
Outro erro foi o comentário: “Nunca foi observada nenhuma mutação que tornasse o indivíduo mutante mais complexo ou mais organizado.”
Ninguém disse que as mutações tornam um indivíduo mais complexo , MAS A ENDOSSIMBIOSE já comprovada por Lynn Margulis torna os organismos mais complexos.
Depois o sr vem com a falácia de que não ocorre especiação, que nenhuma espécie foi observada surgindo… Ora isso só pode ser falta de conhecimento científico porque posso demonstrar um link com uma centena de artigos publicados mostrando casos de especiação. Aí vai, divirta-se: http://www.talkorigins.org/faqs/faq-speciation.html.
Quanto à 2ª lei da Termodinâmica ela não pode ser invocada porque a Terra é um sistema aberto. E sua colocação apenas demonstra que o sr também não conhece a 2ª Lei da Termodinâmica
Se existe uma ou outra fraude na ciência, bem são os próprios cientistas que a denunciam e a retiram do rol de conhecimentos… Ou seja o sistema da comunidade científica se auto-regula.

Silvia Regina Gobbo maio 18, 2012 às 19:21

CONTINUAÇÃO:

De qualquer forma a Paleontologia mostra inúmeros exemplos que preenchem muito bem as árvores filogenéticas demonstrando como foi a história evolutiva dos seres vivos..
Para finalizar, o Sr Eberlin escorrega feio ao querer desconsiderar o PRINCÍPIO DA DEMARCAÇÃO DE POPPER. É como se ele dissesse: “- Já que minhas ideias não se encaixam no modelo epistemológico, joguemos fora a epistemologia!”
Pois bem ele quer jogar fora a EPISTEMIOLOGIA, TODO O PENSAMENTO CIENTÍFICO para substituir pela religião DELE, porque nem todos os cristãos são criacionistas….
O Sr Morgado também cai na mesma história ao dizer algo como: “ se existem cristãos evolucionistas, então eles não são cristãos!!!” Ou seja estes criacionistas estão demonstrando um grande e fervoroso preconceito contra ateus, agnósticos e também cristãos que não comungam com as idéias deles… Além de pregarem o retorno ao estado pré-Científico…
Não me passou desapercebido que, AO CHAMAR A CIÊNCIA DE PÓS-MEDIEVAL o sr Eberlin ESCONDEU o fato de que o CRIACIONISMO E O DI são mais atrasados ainda pois são pensamento PRÉ-MEDIEVAL que foi refutado na pior das hipóteses, no mais tardar, no século XIX…

VOLTAR AO ESTADO PRÉ-CIENTÍFICO? Eu estou fora! Não contem comigo para esta barbaridade.

fernando maio 19, 2012 às 16:43

Respondendo ao Marcos (primeira parte)

{Em um estudo feito pelo The Chimp Sequencing and Analysis Consortium, que reuniu pesquisadores dos Estados Unidos, Alemanha, Israel, Itália e Japão, publicado pelo jornal científico semanal britânico Nature, os cientistas disseram que decifraram o código genético dos chimpanzés, e constataram que o chimpanzé possui cerca de três bilhões de pares de genes, e que desses 3 bilhões de pares de genes, 35 milhões são diferentes dos encontrados no DNA dos humanos.

Portanto, vemos que o código genético do chimpanzé é muito diferente do código genético do ser humano, pois existem 35 milhões de diferenças entre o código genético do chimpanzé e o código genético do ser humano. Pergunto: evolução é ciencia?}

(não sei fazer quote, por favor, me desculpem)

1 – Qual o número desta revista que saiu?

2 – Quando avaliamos diferenças entre genes terá que ver a nível de diferenças de genoma, transcriptoma e proteoma. Tendo observado os efeitos em biologia molecular, para dar esse efeito foram feitas pesquisas em todos os bancos de dados de humanos e chipanzé. E qual a identidade destes cientistas e a contribuição que estes fizeram pra biologia molecular?

Se vc pergunta

Antonio Andrada setembro 1, 2012 às 9:32

Por favor senhores(as), O que o Eberlin esta se referindo ao citar a caricatura “pos-medieval iluminista” do materialismo é a ingenuidade de se acreditar que só existe conhecimento a partir da lógica da Modernidade. Mesmo que vc seja completamente ignorante da história das ciencias (como a maior prte dos especialistas de outras areas) nao é desculpa para nao ter estudado epistemologia na graduaçao, o metodismo, o positivismo, até o empirismo já cairam por terra, nao sobreviveram a critica. 
E depois os defensores de um pluralismo teórico é que sao“fundamentalistas”, é, se fundamentam na epistemologia da ciencia ATUAL, contemporanea, essa que já derrubou todos os argumentos em favor da  leitura de demarcacao da ciencia, do “controle” e da “verdade” do conhecimento, essa que não acredita mais (pois provou isso) que a ciencia é algo diferente de qualquer ideologia. 

Ate hoje os problemas sobre demarcação da ciência são um assunto episteme e filosófico complexo (ninguém sabe definir o que é ciência sem exageros irreais), O termo “pseudociência” é uma expressão caricata que foi proposta depois que Popper ter sugerido a falseabilidade (depois fomentada por Merton, Tegard, e Bunge , porém esta questão não sobreviveram a critica posterior (episteme: Kuhn (1962), Lakatos, Gauch (2003) e Feyerabend (1975) e sociológica: Foulcalt, Derrida, Baldrillard, Habermass, Bauman, R. Kurz, etc… ), ou seja uma constelação de talentos. Fora os epistemologos, Kuhn, Lakatos, Feyerabend…
Duas declaraçoes sobre o valor do termo pseudociencia que se encaixam perfeitamente aqui neste topico:
“If we would stand up and be counted on the side of reason, we ought to drop terms like ‘pseudo-science’ and ‘unscientific’ from our vocabulary; they are just hollow phrases which do only emotive work for us”. (Laudan L, 1996 ).
“The term ‘pseudoscience’ has become little more than an inflammatory buzzword for quickly dismissing one’s opponents in media sound-bites” and “When therapeutic entrepreneurs make claims on behalf of their interventions, we should not waste our time trying to determine whether their interventions qualify as pseudoscientific. Rather, we should ask them: How do you know that your intervention works? What is your evidence?” (McNally RJ, 2003).

É Normalistas, tem vergonha na cara…quem pensa que a ciencia é uma garantida de saber a verdade do mundo deveria morar no sec XIX!!!
O tripé do pensamento ocidental moderno: RAZÃO + VERDADE +OBJETIVIDADE já caiu nos circulos científicos desde a metade do sec XX.

Muitos podem perguntar: Mas a noçao de ciencia NEUTRA ja nao caiu faz tempo? É  companheiros, o problema é a desonestidade publica de alguns, NÃO existe ciencia metodista ou conhecimento científico sem filosofia,  quem nao entende isso é puramente ignorante, está na idade megalítica. Assim, os ditos defensores publicos cientificistas tem duas características “evidentes”: 1- São desatualizados (só por que lhes interessa) em teoria em pelo menos uns 50 anos (pasmem, ainda sao positivistas lógicos!) e 2- Promovem o materialismo/naturalismo filosófico como se fosse a própria ciência. 1&2 = nada mais falso!!!
Desde Hegel que a “auto-análise” do conhecimento é uma ferramenta fundamental da ciência, enfim. Infelizmente a ditadura militar retirou os avós da discórdia Kant e Niezstche da mesa, e que o Brasil tem uma péssima formaçao de professores universitarios é sabido, mas desfilar por ai como esses defensores do dogma sagrado da evoluçāo, ignorando que existe uma crise profunda na justificaçao da ciencia desde o meio do sec. xx, faz favor.

O mais Inacreditavel é ver como alguns dos cientistas que trabalham evoluçao biologica enchem a boca para dizer que obedecem as demarcaçoes popperianas, que piada, a teoria neo-darwinistas e suas varias crias sao apenas inferencias historicas subdeterminadas. 
É hilário como essa Silvia Regina Gobbo consegue promover tantas falácias em tão poucas linhas; realmente parece existir uma “categoria de cientistas” que são escolhidos pelo establishment para serem os porta vozes da educação científica. Infelizmente todo mundo sabe que o papel destes é apenas fazer propaganda para manter o poder da ciencia como uma narrativa confiável perante os formadores de opinião (ou seja, apaziguar as controvercias cientificas frente ao grande publico apresentando a ciencia como uma coisa uniforme, as teorias como verdades e os cientistas como heróis desinteressados).
É um fenômeno mundial desde que a ciencia existe, haja puxa-saquismo paradigmático, só dando entrevista para no jô Soares e no Fantástico mesmo. Ora, e quem não se delicia quando o Marcelo Gleiser aparece na telinha para contar a verdade “que todo mundo deveria acreditar” sobre como o universo surgiu, como evoluímos, ou como os dinossauros foram extintos? 
Normalmente tais senhores(as) defendem o neohumanismo e o secularismo combatendo todas as vozes distoantes que vao de encontro aos interesses dos governos, ou seja, reproduzem o discurso “cético” (que como sabemos tá mais para dogmatismos e  desinformação. Tambem, foram essas mesmas instituiçoes que os selecionaram e pagaram seus estudos a vida toda.
Quem se beneficia desses Contos de Fadas? É só prestar a atenção ao que eles NÃO dizem. 

A história das ciencias está cheia de exemplos onde o “dogmátismo disfarçado de ceticismo” cientifico que atrasou o desenvolvimento das ciencias. Não sou religioso, mas não é verdade que os cientistas provaram que não existem forças sobrenaturais, o Eberlin esta certo quando afirma que o DI nao é religiao, a ciencia só trabalha com (materia e energias conhecidas), eles apenas criaram explicações do mundo com premissas que não precisavam de fenomenos externos, isso não quer dizer que tais explicações estão corretas, podem estar errados… qualquer teologo ou filosofo de 5ª categoria sabem que ciencia e religião partem de logicas e de experiencias totalmente diferentes e que não se pode validar uma a partir da logica da outra,  tenham criatividade senhores evolucionistas e apresentem evidencias de suas grandes afirmaçoes, tudo que vejo é subdeterminaçao. 

Bom, percebi que eu fiquei argumentando sobre a epistemologia contemporanea sem postar referencia, então, para quem não conhece as criticas atuais que desconstróem a “ciencia” como um empreendimento “descritivista” e “realista” de formação de conhecimento, e não entendeu minhas colocações sobre a critica atual contra as posturas Metodistas da ciencia (da fragilidade do racionalismo e empirismo do método), recomento a leitura de:

“Scientific Rationality: The Sociological Turn”, de David Bloor (BLOOR, D. “The Strengths of the Strong Programme”, Scientific Rationality: the Sociological Turn, J.R. Brown (ed), Edited by Reidel Publishing Company, 1984.)

Nesse link, tem o capítulo I que é bem didático (em ingles): http://shodhganga.inflibnet.ac.in/bitstream/10603/1627/7/07_chapter%201.pdf

É uma boa leitura para se entender o impacto que tiveram os programas de investigação em filosofia e sociologia da ciencia nos ultimos 50 anos.

Para quem quer refutaçao mais concreta, também tem um texto biografico sobre o Feyerabend que tem muita informaçao didática sobre epistemologia e a refutaçao ao positivismo logico na Física:

Ler mais em: http://www.maxwell.lambda.ele.puc-rio.br/9607/9607_6.PDF

Ricardo Marques fevereiro 23, 2013 às 7:01

Caros amigos:

Como modesto biólogo, professor de biologia molecular e também paleontólogo, quero parabenizar a coerência e a elegância da fala do Prof. Dr. Marcos Eberlin.

Congratulo, ainda, o jornalista Maurício Tuffani pela honestidade de propósito, em permitir o contra-ponto do Dr. Eberlin, isso num meio normalmente déspota, que costuma censurar e boicotar quaisquer tentativas de se construir, na nossa dogmática ciência, espaços livres e democráticos para o debate saudável (seja sobre que assunto e abordagem for), assim como perseguir os discordantes, tratando-os com zombarias e até com articulações políticas para denegrir o nome e a carreira de quem, independente de se estar certo ou errado, ousa divergir do status quo.

Aproveito para lamentar o teor zombeteiro e deselegante de boa parte dos comentários, aliás, caracteristico da mentalidade – tão bem percebida por Thomas Kuhn – da postura fanático-religosa do establishment acadêmico quando afeito ao paradigma da vez, e das reações que tipificam a parcela ideologicamente comprometida da comunidade científica quando o paradigma vigente encontra-se em evidente crise.

Por esse simples e sincero comentário, provavelmente alguns ficarão inflamados e me desejarão mal. Quase certo, serei visto como ignorante e desinformado, ao haver deixado um ateísmo um tanto extremista, que me cegava, e abrir os olhos em relação a uma ciência arrogante, parcialmente confusa por um dogmatismo que eu costumava negar. Se assim for, direi que mereço – afinal, estarei sendo alvo das mesmas armas iníquas que usei contra aqueles que eu julgava gente burra e estúpida. Mas, se puder escolher, espero não ter que ser alvo dessas pedras, seja quem for que se ache digno de atirar a primeira.

A honestidade, aliada à coerência e ao conhecimento dos FATOS, nos impele a admitir, sim, a evolução como um MODELO inteligente, uma PROPOSTA explicativa muito interessante e bem-pensada para a origem da vida e das espécies – contudo, sob a mesma honestidade, coerência e conhecimento dos fatos, precisamos admitir que a evolução não pode nem deve ser posta como FATO comprovado e definitivo, assumindo-se, isto sim, que seu fundamento é [apenas] especulativo e interpretativo. Isso porque os mesmos fatos podem, devem e ESTÃO sendo revistos sob outras óticas interpretativas, e não por religiosos, mas por cientistas, alguns dos quais podem ter alguma convicção religiosa – e muitos, não. E o fato de haver pessoas – religiosas ou não – afirmando asneiras de um e de outro lado do debate, como de vez em quando acontece, não deveria ser usado por qualquer das partes para se tentar desqualificar as teses, as interpretações e os questionamentos discordantes postos à mesa pela outra parte.

Por fim, inteligentes todos somos – como nos tornaríamos cientistas se fôssemos gente “burra” se aventurando num completo universo de mistérios? E como cientistas, também temos de ser pessoas bem informadas. Nesse quesito, no entanto, reside um drama: bem informados a respeito de quê? E em que fontes obtemos as informações que usamos? Ou seriam as informações que “queremos”? E o quanto nossas ideologias, dogmatismos e tendenciosidade afetam nossa leitura dos fatos? Faço essa pergunta a todos: evolucionistas materialistas, evolucionistas teístas, adeptos da TDI, criacionistas científicos, etc.

De minha parte, confesso: se hoje trafego, entranhado, no máximo possível de fontes científicas divergentes, na tentativa de garantir mais honestidade e mais coerência nos meus posicionamentos, e um maior equilíbrio de informação e de percepção, antes não era assim – eu bebia apenas de fontes em que o evolucionismo fosse tratado como fato consumado e inquestionável, e em que quaisquer discordâncias fossem tratadas como mero produto de obscurantismo e ignorância. Obviamente eu não poderia, nessa condição de excessivo reducionismo, ter clareza de entendimento – não se eu fosse um cientista honesto e desejasse preservar isso acima dos meus interesses intelectuais e acadêmicos particulares.

Atualmente sei que sou bem informado em vários aspectos, e pouco informado sobre outros. Preciso, portanto, continuar estudando muito, pesquisando muito, nutrindo sempre o anseio em saber – todavia, preciso antes garantir que o estudo, a pesquisa e o anseio em saber sejam crivados pela coerência e pela honestidade, o que, de pronto, me remete a querer e promover aquilo que é a base do método científico: tentar falsificar, incansavelmente, as respostas que construímos para nossas perguntas.

Alguns – e olha que não são religiosos -, fazendo isso, estão percebendo e declarando que o neodarwinismo não mais se sustenta, pelo menos não no nível de querer explicar a macroevolução. Então, busca-se uma nova síntese (quem convive nos bastidores acadêmicos internacionais sabe bem disso). Porém, essa síntese será, de novo, uma tentativa exasperada de explicar a vida por meio de um paradigma materialista-naturalista, considerando que o establishment acadêmico mantém a decisão de desconsiderar, a priori, a alternativa de um design inteligente. O preconceito, mais uma vez, dá as cartas e violenta a chance da verdade, limitando-a seletivamente ao escopo eleito pelo status quo.

Aqui reside o drama: E SE, à revelia de todas as dúvidas e de todos os abusos ditos e cometidos, a resposta à origem da vida e das espécies for mesmo produto de um design inteligente? SE essa for a verdade – apenas SE – estaremos condenados a jamais assumi-la, pela postura reacionária de uma ideologia que domina o establishment acadêmico? A postura preconceituosa e arrogante do status quo científico, amarrada a uma ideologia déspota, parece nos condenar à escravidão da ignorância quanto à verdade dos fatos (seja ela qual for)… Não deveríamos, todos, repensar isso?

Sim, somos todos inteligentes e bem informados; mas também somos, em maioria, preconceituosos e desinformados em alguns aspectos – aspectos cruciais para que se construa algo de efetivo nessa polêmica.

Nesse ponto, ouso assumir que há, sim, desinformação e ignorância nas posturas contrárias à TDI e mesmo ao criacionismo. A desinformação e a ignorância se manifestam quando se ouve declarações levianas de que criacionismo e TDI não tem a ver com ciência, mas com religião; que cientistas sérios são todos evolucionistas; que cientistas que questionam a macroevolução não fazem ciência nem merecem crédito em seus questionamentos e afirmações; que cientistas que questionam a evolução o fazem por razões meramente “religiosas”; que a macroevolução é fato comprovado e inquestionável; que se criacionismo for aceito como ciência, astrologia também teria de sê-lo (ainda que isso tenha sido dito – se é que foi – por alguém do quilate de Michael Behe, a quem conheço pessoalmente); que não existe “evolucionista” porque não há “gravitacionista”, numa inacreditável tentativa de equiparar uma teoria interpretativa como a da evolução a uma lei matematicamente comprovada como a da gravidade; e assim por diante.

Ora, tais alegações demonstram uma ignorância de muitos fatos, evidências, informações e reflexões, o que denota que a ideologia está falando mais forte do que a genuína ciência.

Amigos: um teólogo – Charles Darwin – e autodidata em ciências naturais, teve a liberdade de questionar o paradigma vigente do fixismo (que não pode ser confundido com TDI nem com criacionismo científico, pois é muito diferente), e com essa liberdade pôde buscar evidências para uma teoria materialista-naturalista que explicasse a origem da vida e das espécies, findando com a formulação de um novo paradigma, o da evolução por seleção natural, ao longo de um período de bilhões de anos (outro paradigma). Agora, de maneira incoerente, senão desonesta, o establishment acadêmico zomba e ridiculariza quando cientistas – isso mesmo, CIENTISTAS – questionam o paradigma darwinista/evolucionista, e isso com base numa revisão do modelo especulativo-interpretativo da teoria vigente mais aceita, centrando-se esta revisão não em pressupostos de fé, mas na abertura a outros modelos especulativos-interpretativos baseados em fatos científicos concretos.

O que deveríamos estar fazendo, honestos que devemos ser? Simples: fazer ciência. Só isso. E fazer ciência de forma honesta é vermos os darwinistas/evolucionistas tentando, com vigor, falsear a teoria de Darwin e considerar, com seriedade e não menos rigor e desconfiança, os fatos diante de outros modelos, como a TDI e o criacionismo científico.

Nenhuma postura que descarte a regra do método científico de se tentar falsificar a teoria da evolução, assim como avaliar seriamente teorias alternativas, pode ser considerada honesta e coerente. Cabe a nós, que fazemos ciência, agirmos de maneira prática de acordo com aquilo que fundamenta nosso discurso como cientistas.

Que essa discussão seja saudável e sempre respeitosa, na sincera busca pela verdade, em detrimento dos nossos interesses pessoais e/ou coletivos.

Fiquem em paz.

Ricardo Marques.

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